Existem diversas obras que oferecem diferentes versões de um mundo cyberpunk, mas existe uma em particular que cativa o público e têm uma complexidade superior em relação às outras, estamos falando da animação japonesa Ghost In The Shell. Fazer uma adaptação de um anime para live action, mais especificamente uma adaptação ao estilo Hollywood, é um desafio extremamente difícil e as vezes alguns resultados não agradam em nada. Entretando, o diretor Rupert Sanders nos entregou um filme que respeita e abraça as origens de Ghost In The Shell.

As pessoas familiarizadas com o mangá ou com o anime vão notar logo de início a mudança no nome da protagonista que originalmente se chama Motoko Kusanagi. Essa mudança não se trata apenas de uma forma de justificar uma branca no papel de uma japonesa, mas essa alteração está diretamente relacionada à origem da Major no filme.

Como na versão original, o filme apresenta um Japão futurista onde implantes e melhorias robóticas fazem parte do dia a dia das pessoas. Essas melhorias vão desde fígados cibernéticos para uma tolerância maior à bebidas até comunicadores telepáticos, dispensando objetos como celulares. Com Scarlett Johansson como protagonista o filme acompanha a história de Major Mira Killian, uma ciborgue que teve um cérebro humano inserido em um corpo robótico. Mira trabalha para o Setor 9, uma unidade de combate à crimes cibernéticos criada pelo governo. A história é focada no dilema de Mira em compreender a si mesma, descobrir o seu passado e encontrar sentido no que ela se tornou.

Major Mira Killian é o resultado de diversas experiências feitas pela Hanka Robotics, que desde o início diz ter resgatado a protagonista de um terrível acidente que destruiu seu corpo e que conseguiram apenas salvar seu cérebro, mas tudo é revelado em uma reviravolta que começa a dar sentido à história do filme. Dr. Oulet, uma das responsáveis pelo projeto que criou Mira, continuou vendo a jovem ainda como humana, enquanto a Hanka (corporação que criou a jovem) sempre a viu como uma arma poderosa.

Desde o início do filme vemos o quão boa a produção do filme foi, com um trabalho impecável em relação ao visual do filme e aos efeitos especiais e uma adaptação muito bem feita das cenas originais do anime. As discussões filosóficas e toda aquela temática de ciberterrorismo não são bem trabalhadas e abrem espaço para o foco principal do filme, que é o processo de descoberta de Major.

O fato do filme não possuir tanta complexidade como na obra original é completamente aceitável, visto que englobar todo o conteúdo do anime em um único filme é uma tarefa bastante complicada e praticamente impossível. O objetivo do filme foi simplificar a obra de forma que conseguisse atingir um novo público, mas sem tratá-lo de forma diferente dos fãs do título.

O resultado magnífico que Rupert Sanders conquistou com este live-action é bastante notável e muito bem-vindo. A produção do filme foi impecável e seu visual cuidadosamente trabalhado. A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell é uma adaptação que foi feita com bastante cuidado tentando seguir os passos da obra original de 1995 e que não deve ser descartada com base em comparações e primeiras impressões.

 

REVER GERAL
NOTA
8
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